A escolha do parto normal humanizado

Convidada especial: Hellen Xavier Manso, mãe do Estêvão de 4 anos, esposa, arquiteta e autora do blog blog Integralmente, mãe. Neste espaço ela compartilha seus conhecimentos sobre parto normal humanizado. Vamos acompanhar?

Sou o tipo de pessoa que só foi pensar em parto, quando estive grávida. E não foi difícil decidir pelo parto normal. Eu assistia muitas séries e programas americanos e europeus que mostrava como eram as rotinas das parturientes, e nos Estados Unidos e Europa, parto cesáreo só acontece em situação de emergência. A escolha do parto normal para mim foi fácil, já que ele fez parte das escolhas de todas as mulheres da minha família.

Como escolhi

Só que o parto das americanas e europeias, eram mais respeitosos, humanizados que o que conhecemos como parto normal aqui no Brasil. A mulher era a personagem principal no parto. Podemos dizer com certeza que era ela mesma quem fazia o próprio parto. No Brasil, em partos normais, a mulher é personagem coadjuvante. O médico e sua equipe assume o papel de personagem principal, realizando vários procedimentos desnecessários como episiotomia ou até mesmo obrigando a parturiente a parir em posição deitada.

Rompendo barreiras

A escolha do parto normal para mim na verdade era como transcender algo que já existia. Por que eu desejava um parto normal, mas não normal como todos conhecem e oferecem. Até chegou a virar moda o tal parto humanizado. E desde quando atendimento humanizado precisa ser moda? Isso deveria existir sem que precisássemos solicitar, não é mesmo?

Eu me informei bastante durante minha gravidez, fiz cursos que o plano de saúde oferecia e devorava artigos e livros sobre o assunto. E decidi como eu gostaria que o nascimento do meu filho fosse: sem intervenções, ou ainda que tivesse, estas deveriam ser solicitadas por mim (uma anestesia por exemplo). Quando a parturiente deixa de ser coadjuvante e passa a ser a personagem principal, o parto natural é humanizado. E assim foi.

parto normal humanizado

Eu escolhi a melhor posição para parir, tive autonomia para levantar, tomar água ou até comer se assim desejasse durante o trabalho de parto. Meu filho não nasceu em centro cirúrgico, nasceu no quarto e logo foi fotografado pela vovó, e teve seu cordão umbilical cortado pelo papai. E o melhor estava recebendo as visitar horas depois!

Parto normal é o melhor?

Mas não podemos romantizar a escolha do parto normal, precisamos deixar claro que as dores do trabalho de parto existem, e são profundamente dolorosas, mas que milagrosamente passam! Há várias explicações para justificarmos o parto natural como sendo a melhor opção. Vejamos:

A natureza quer

O desfecho natural de um parto é vaginal, não há como fugir disso. O melhor sempre será aguardar o bebê dizer o momento de ele nascer. E para isso, só aguardando a natureza. A cesariana pode salvar a vida de mãe e filho, mas quando ela é eletiva (agendada antes do trabalho de parto se iniciar) há grandes chances de o bebê nascer prematuro, mais magro e com os músculos não completamente desenvolvidos.

Melhor respiração

O tórax do bebê é comprimido ao passar pela vagina, assim como o restante do seu corpo. E isso garante que o líquido amniótico de dentro de seus pulmões seja expelido pela boca, contribuindo para o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce.

As contrações uterinas estressam bastante o bebê, o que contribui para deixar os pulmões do bebê preparados para trabalhar na vida fora do útero. A cesárea eletiva contribui por aumentar o risco de o bebê sofrer desconforto respiratório, o que pode levar a doenças de insuficiência respiratória e até pneumonia.

Facilita a amamentação na 1° hora de vida

trabalho de partoÉ durante o trabalho de parto que os hormônios ocitocina e prolactina trabalham.  No caso da cesárea eletiva, onde a mulher se submete a cirurgia agendada, o organismo pode secretar as substâncias que deflagram a produção de leite com certo atraso. Resumindo, a criança terá de esperar mais tempo para ser amamentada pela mãe.

Mito da dor

A imagem de uma mãe urrando está ficando cada vez mais ultrapassada. A analgesia tem sido cada vez mais utilizada para controlar a dor. E ainda há outros métodos não farmacológicos para alívio das dores. E ainda assim, com a anestesia, é possível sentir as contrações e até ajudar a impulsionar a criança para fora, durante o período expulsivo do parto.

Rápida Recuperação

A cesariana é uma cirurgia, e justamente por isso as parturientes que passam por ela recebem alta cerca de 60 a 72 horas após o parto e pode levar de 30 a 40 dias para se livrar das dores. E quem passa pelo parto normal, já pode ir para casa 48 horas após o parto.

Segurança

Cerca de 12 % dos bebês que nascem de cesariana vão para UTI. Como qualquer cirurgia a cesariana envolve riscos de infecção e até de morte da criança. No parto normal este número cai para cerca de 3 %. A cesariana é definitivamente como uma cirurgia no abdômen.

Como foi a escolha do parto normal de vocês mamães? Ou melhor optaram por qual tipo de parto? Vamos conversar?